Doença com Corpos de Lewy

Doença com Corpos de Lewy

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Doença com Corpos de Lewy


A Doença com Corpos de Lewy é uma patologia que levanta questões, tanto na sua prevalência como no seu diagnóstico. Ou porque o diagnóstico é difícil, ou porque a doença pode estar associada a outras doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer, é que nos aparecem taxas de prevalência muito diversas, que podem variar entre 1,7% e 30% de todas as formas de “demência”.

Esta doença caracteriza-se pelo achado de alterações anatomopatológicas, denominados Corpos de Lewy, que surgem entre 20% a 35% dos casos de doentes autopsiados portadores de “demência”. O facto de surgirem estas alterações não quer dizer que se conclua com o diagnóstico principal de doença com Corpos de Lewy, uma vez que podem surgir associados a outras formas de doença neurodegenerativa. A doença tem um início lento e progressivo, onde as alterações cognitivas são flutuantes e caracterizadas pelo compromisso inicial da atenção e execução. A memória está pouco comprometida nas primeiras manifestações da doença. A sua particularidade maior é o aparecimento de alucinações visuais recorrentes, muito nítidas, nomeadamente crianças ou animais, a que pode acontecer o doente dirigir-se, tomando-as como reais. A presença de alucinações visuais não é, no entanto, diagnóstico de certeza desta doença, ou seja pelo facto de uma pessoa com compromisso cognitivo ter alucinações visuais não quer dizer que tenha esta doença. Podem surgir outras formas de alucinações, sobretudo auditivas (é frequente o doente referir que conversa com as pessoas que vê). Surgem sinais de parkinsonismo (tremor e perturbação da marcha) mais de um ano após os sinais de compromisso cognitivo. Esta característica é um dos critérios para distinguir de Doença de Parkinson, pois nesta última os sinais motores surgem antes das perturbações cognitivas.

Uma vez que a memória está preservada, estes doentes parecem ter mais dificuldades quotidianas face ao estado da doença, que noutras doenças degenerativas do Sistema Nervoso Central, pela perturbação da atenção e da capacidade executiva. A avaliação clínica detalhada e neuropsicológica é por isso fundamental para o diagnóstico, bem como o estudo imagiológico.

Mas, o diagnóstico é assim tão importante nestas circunstâncias? É fundamental, porque a terapêutica a que os doentes respondem é muito distinta e até contrária à terapêutica adequada a outras formas de doença degenerativa.

Deixo esta conclusão, o estudo e compreensão do doente com doença degenerativa é fundamental para um diagnóstico e um bom acompanhamento terapêutico do doente.