Gratidão, o bem e o mal

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Temas da Longevidade

Gratidão, o bem e o mal


 

Já pensou que adquirimos como certo todos os benefícios que temos e nos conformamos com o mal, como se não houvesse mal nenhum. A isto chama-se banalização do bem e do mal, onde parece que é tudo igual, o mal não é tão mal assim, depende da perspectiva, e o bem também não é nada de extraordinário. Desvalorizamos o bem! Menosprezamos o mal! É tudo igual. Isto acontece de forma mais ou menos frequente nos mais diversos e singulares momentos da nossa vida, bem como em circunstâncias de peso.
Francisco sentia-se ferido, tinha ajudado imenso o filho, também Francisco, durante toda a vida. Podia dizer-se que tinha vivido para os filhos. Uma secreta e grande alegria invadia-o, com um sentimento muito próximo da vaidade, a cada conquista dos filhos. No Francisco tinha depositado as maiores expectativas, mas, e talvez por isso, este filho era muito senhor de si, convencido. Achava que tudo o que os pais faziam por ele não era mais que obrigação deles e não via razão para reconhecer com gratidão. Demonstrava mesmo arrogância para com os pais, sendo capaz de ser ofensivo. Estes pais deram demais e este filho nunca percebeu o empenho dos pais, ao contrário dos irmãos. Onde estava a capacidade de amar do Francisco filho? Não era só amar os pais, era amar os outros, reconhecer o outro enquanto pessoa de bem, ter valores e não julgar o mundo pelo seu umbigo. Quando não conseguimos distinguir o bem do mal também não nos conseguimos conhecer, nem dar valor ao que é verdadeiramente significativo.
A gratidão leva-nos a respeitar os outros, a dar valor ao que fizeram, não só por nós individualmente, mas por todos, pelo colectivo. Isto é a base do respeito que é a pedra basilar da relação entre todos e do respeito entre gerações. Reconhecermo-nos uns aos outros é saber perceber no outro virtudes e defeitos, mas sobretudo valores do outro, e assim respeitar mais ou menos a outra pessoa. Permite criar e repensar os nossos valores o que faz parte do reconhecimento de nós. O pai Francisco veio a aprender com este filho a valorizar a gratidão dos outros e a desvalorizar o que passou a entender como um problema do filho Francisco. Percebeu que fez mal em criar tantas expectativas.
Aprecie o bem e repudie o mal da forma mais simples, que é ser grato.

Deixo por fim esta pergunta “Consegue acreditar no próximo se não o reconhecer como uma pessoa de bem?”