Ageísmo

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Temas da Longevidade

Ageísmo


Queremos ter mais anos de vida se não os conseguimos viver plenamente?
Vale a pena promover a longevidade se esta representa um tormento, quando a alegria de viver está comprometida pelos estereótipos e discriminação relativamente às pessoas de mais idade. Esta atitude que tanto se manifesta de forma explícita como implícita denomina-se de ageísmo, conotando-se com outras práticas discriminatórias como o racismo ou o sexismo. A forma implícita é a mais corrente e em si mesma discreta porque acontece no nosso quotidiano sem que tenhamos consciência dela. Manifesta-se nos pensamentos, sentimentos e juízos que na maior parte dos casos têm uma conotação negativa. Tanto são formulados por terceiros como pelas próprias pessoas de mais idade. Quer dizer, o ageísmo corresponde também à percepção que o próprio tem de si, desvalorizando-se e sentindo-se desconfortável com a sua idade e com o que entende como problemas do envelhecimento, tendo dificuldade em valorar o que há de positivo. Este preconceito está ligado a posturas de conformismo, resignação e passividade, remetendo-se o próprio para uma posição passivo-agressiva de auto-exclusão. Está posição é mais frequente do que julgamos e pode manifestar-se em atitudes de recusa em frequentar determinados sítios ou ter certos hábitos porque alegadamente são coisas de velhos. A imagem que se tem do envelhecimento raramente é positiva. Não se costuma por exemplo atribuir beleza a uma pessoa de mais idade, o que é um preconceito, não um conceito estético. A ideia que falta de memória está sempre relacionada com a idade, mesmo quando não há qualquer doença degenerativa é outro preconceito comum sem razão de ser.
A discriminação pela idade já se manifesta explicitamente porque encerra em si atos conscientes como a exclusão dos mais velhos de trabalhos ou tarefas, de participação social, ou de desfavorecimento por serem um peso económico e social. Uma das mais frequentes manifestações de ageísmo é a forma paternalista como são tratadas as pessoas de mais idade, em termos de linguagem e não só, subestimando-os como fardos inúteis que em nada contribuem para a sociedade. Esta percepção deturpada vai ser transmitida aos próprios, que vão criar uma imagem desvalorizada de si mesmos em espelho.
Verificou-se que na Europa o peso do ageísmo é muito superior ao do racismo e do sexismo, e no entanto é um problema muito menos difundido.
São inúmeras as pessoas que me dizem “o que é que eu ando cá a fazer?”, “tratam-me como uma criança”, “sou um peso, não sirvo para nada” e outras exclamações que ilustram o efeito devastador do ageísmo e a ideia de inutilidade da própria pessoa.
Lutar contra o ageísmo é lutar pelo sentido da longevidade, pela participação social dos mais velhos, contra a ideia depressiva de envelhecimento, pela sua própria identidade e afirmação pessoal.

“Queremos envelhecer em sociedades que consideram obsoleta a longevidade?”